Sambas-enredos paulistas e cariocas prometem homenagear a música

O mundo da música vez ou outra é lembrado nos sambas-enredos das escolas cariocas e paulistas. E quando acontece costuma dar sorte às agremiações. No ano passado, a Estação Primeira de Mangueira conquistou o título depois de 14 anos ao homenagear a cantora Maria Bethânia com o samba Maria Bethânia: A menina dos olhos de Oyá. Vale lembrar que a escola também ganhou outras cinco vezes quando escolheu a música como tema: 1998 (Chico Buarque), 1986 (Dorival Caymmi), 1984 (Braguinha), 1968 (o samba) e 1960 (o carnaval). Em São Paulo, também no ano passado, a Mocidade Alegre ficou em terceiro lugar ao celebrar o samba com o tema Ayô – A alma ancestral do samba.

Talvez inspirados nessas venturas, seis escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo resolveram adotar a temática para cantar e celebrar nos desfiles carnavalescos de 2017. Neste ano, as agremiações falarão sobre duas estrelas específicas da música, Ivete Sangalo e Elba Ramalho, e também farão um tributo a ritmos, como o tropicalismo.

A vida de Ivete Sangalo, principal nome da axé music, será cantada e representada na Marquês de Sapucaí pela escola Grande Rio. A agremiação mostrará desde o nascimento da artista, citando Juazeiro (cidade natal de Ivete, no interior da Bahia), até momentos importantes da carreira, ao falar da Banda Eva, grupo que levou a cantora ao estrelato. A pesquisa começou em novembro do ano passado, com ajuda da historiadora Elenise Guimarães da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O samba-enredo foi escolhido durante um concurso. O vencedor foi Hoje é dia de Ivete!, dos compositores Paulo Onça, Kaká, Dinho Artiligri, Rubens Gordinho, Alan Vasconcelos e Marco Moreno. A música tem várias referências às canções da baiana. A começar pelo título, que é um trecho de Acelera aê (noite do bem). Além disso, há partes de Cadê Dalila? (2009) e Sorte grande (2003). A participação de Ivete Sangalo no desfile ainda é mistério. Especula-se que ela possa estar na comissão de frente e depois encerre a participação em um carro alegórico. A informação foi divulgada pelo colunista Ancelmo Gois.

Já a paraibana Elba Ramalho é o tema da escola paulista Tom Maior, que retorna ao Grupo especial do carnaval de São Paulo. Desenvolvido pelo carnavalesco Cláudio Cebola, a Tom Maior falará do folclore nordestino por meio da imagem de Elba. O samba-enredo escolhido foi Elba Ramalho canta em oração o folclore do Nordeste. Toque sanfoneiro forró, frevo e xaxado, de autoria de Maradona, Turko, Ricardo Neto, Paulinho Miranda, Rafa do Cavaco, Celsinho Mody e Léo Reis. Assim como o tema de Ivete, o samba-enredo sobre Elba também cita hits que fizeram sucesso na voz da cantora, como Frevo mulher e De volta pro aconchego.

O famoso encontro entre Pixinguinha e Louis Armstrong em novembro de 1957 serviu de inspiração para a escola Unidos da Tijuca, segunda colocada do ano passado no carnaval carioca. O fato histórico que completa 60 anos em 2017 está cantado no samba Música na alma, inspiração de uma nação, de composição de Totonho, Fadico, Josemar Manfredini e Dudu, por meio das citações ao jazz, rock e samba. “A musicalidade desse seu país/ Virou paixão universal/ Nessa avenida, rege o enredo do meu carnaval”, diz a letra. Na versão do CD oficial, antes do samba ter início, é cantado um trecho de Chiclete com banana, de Jackson do Pandeiro. Além disso, a escola citará a estrela internacional Beyoncé em uma das alas. Houve boatos de que ela participaria do desfile, mas com a notícia da gravidez de gêmeos fica pouco provável a vinda da artista ao Brasil no carnaval.

Vários ritmos
Em 2017, um marco importante do movimento tropicalista é celebrado. São 50 anos da interpretação de Alegria, alegria, por Caetano Veloso, e de Domingo no parque, por Gilberto Gil, no Festival de Música Popular Brasileira. Essa data célebre inspira a agremiação carioca Paraíso do Tuiuti, com o samba Carnavaleidoscópio tropifágico, do carnavalesco Jack Vasconcelos e de composição de Carlinhos Chirrinha, Rafael Bernini, Luis Caxias, Wellington Onirê e Fernandão. No desfile, personalidades da música brasileira serão homenageadas.

A escola de São Paulo Unidos do Peruche desfilará no Sambódromo do Anhembi uma celebração a Salvador, que, consequentemente passa pelos ritmos baianos, como afoxé e axé music. O carnaval da capital baiana é lembrado na letra do samba intitulado A Peruche no maior axé, exalta Salvador, cidade da Bahia, caldeirão de raças, cultura, fé e alegria, composta por D’Xangô, Douglas Chocolate, Leo Reis, Juliano, Celsinho Mody, Guga Pacheco, Tio Do, Paulinho Sorriso e Marcio Zanato.

Acadêmicos do Tucuruvi desfilará com tema bastante pertinente a São Paulo. A escola falará sobre a arte de rua, que tem sofrido com a decisão do prefeito João Doria em pintar os grafites paulistas. O samba-enredo Eu sou a arte: Meu palco é a rua, de composição de Carlos Jr, Fabiano Sorriso, Marcio André, Marcos Vinicius, Wellington da Padaria, Beto Rocha e Biel, mostrará os vários tipos de arte urbana, entre elas, o hip-hop, gênero forte em SP. “Nas esquinas me transformei,/ Cantei e dancei pelo mundo./ Sou uma voz a gritar, hip-hop no ar,/ Herança dos guetos.”


Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2017/02/05/internas_viver,687465/sambas-enredos-paulistas-e-cariocas-prometem-homenagear-a-musica.shtml

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