Quando você tem vários motivos para não fazer um baile de samba rock

Talvez seja um pouco pessimista o título desta publicação, mas eu prefiro encará-lo como um desafio a ser vencido, e quando me refiro ao futuro é justamente por entender que ele ainda não foi. Um dia eu acredito que será, tenho fé.

Anteontem foi realizada mais uma edição do Samba Rock Plural, um projeto para reunir diversas linguagens artísticas e culturais do samba rock ou de outros estilos que dialogam com essa cultura. Escrito em 2012 por integrantes do coletivo Samba Rock Na Veia, o projeto passou a integrar a programação cultural da Casa das Caldeiras aos domingos. Inicialmente o piloto chamava-se “Samba Rock nas Caldeiras” e posteriormente à aceitação no espaço, deu-se lugar ao projeto pelo qual o coletivo entrou na Casa, o Samba Rock Plural. São ao todo nove edições do Plural, incluindo a última realizada neste domingo, 08/11.

Queria apenas situar algumas pessoas com essa breve descrição do projeto para seguir em frente no assunto título desse artigo. Vamos lá.

Primeiramente há de se avaliar, brevemente, o movimento samba rock fazendo um paralelo com outros movimentos artísticos e culturais presentes em São Paulo, cidade de sua origem e onde seus desdobramentos se mantém resistentes até dias atuais. Frente ao hip-hop, samba, pagode, sertanejo, forró, funk etc., o samba rock tem uma posição inferior diante esses demais movimentos citados, para alguns é como se ele nem existisse, simplesmente não há qualquer preocupação com sua presença no que diz respeito a perder público de qualquer um desses ritmos citados ao samba rock.

A falta de penetração na mídia ocasiona também a falta de interesse em investimento nas ações criadas com essa temática. Onde não há público, não há voto, não há político, não há recurso público sendo investido e não há crescimento sem investimento. Uma triste realidade para uma realidade não tão real assim. O samba rock tem sim público, não só as pessoas que lotavam os bailes black e nostalgia dos anos 1970, 1980 e 1990, como também o público jovem que hoje preenche as pistas dançando samba rock ao som de bandas (sim, elas existem) e DJs. Há de se ressaltar à dança atual uma presença maior de “nós” mais sofisticados e músicas remixadas num compasso mais acelerado que as canções de antigamente. Essa carência de investimento também acontece no setor privado onde a empresa dificilmente enxerga uma massa de consumidores dentro do movimento, na TV o samba rock surge (muito) esporadicamente numa reportagem ou na trilha sonora de algum comercial de 30 segundos. E mesmo assim, nem protagonista, nem movimento, são capazes de estender esse curto tempo de “fama” ou fazer lucrar com ele por um longo prazo.

Outros caminhos levam a crer na falta de apelo em relação a assuntos como sexo, violência e drogas. Sabe-se que movimentos marginalizados como o samba, hip-hop, atualmente o funk, beberam e bebem dessa fonte fazendo durar por mais tempo um holofote sobre eles. E mesmo que negativo e doloroso durante um período, com o passar do tempo a organização, união e militância fizeram a sociedade entender a devida relevância cultural e comercial de cada um desses movimentos.

O samba rock é segmentado demais, falta de investimento e carência de apelo além da relevância cultural e bem estar proporcionado. Esses são apenas alguns pontos mais abrangentes e externos explicativos em relação à posição ocupada pelo samba rock no cenário da cultura negra em São Paulo.

Por Nego Júnior

Fonte: http://www.sambarocknaveia.com.br/2015/11/quando-voce-tem-varios-motivos-para-nao-fazer-um-baile-de-samba-rock/


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